IA responsável · Projeto pessoal
Triagem de publicações jurídicas com IA e revisão humana
Resumo executivo. Construí uma automação no-code, em operação, que faz a triagem de publicações de diário oficial: extrai dados estruturados com LLM (Claude Haiku via API Anthropic), cruza com uma base de processos que simula um CRM, identifica responsáveis, alimenta um painel de acompanhamento, envia alertas e cria lembretes provisórios no Google Agenda marcados como [REVISAR]. A classificação de urgência é feita por regras determinísticas fora do modelo, e nenhuma ação final acontece sem revisão humana. O case não é sobre IA: é sobre desenhar um processo confiável em um domínio onde erro tem consequência.
Contexto
Escritórios de advocacia monitoram diários oficiais diariamente. Perder uma intimação pode significar perder um prazo, e perder um prazo pode significar perder um caso. A triagem manual é repetitiva, sujeita a fadiga e cara: exatamente o perfil de tarefa em que automação ajuda e em que automação mal desenhada é perigosa.
O problema certo
A pergunta que define o projeto não foi “como automatizar a triagem?”, e sim: o que esta automação jamais pode fazer?
Ela jamais pode: substituir a análise jurídica, calcular prazos oficialmente, agir sem supervisão ou esconder de onde tirou uma informação. A partir dessas restrições, desenhei o processo.
Desenho da solução
Guardrails e confiabilidade
- Separação probabilístico × determinístico: LLM extrai, regras decidem. Essa fronteira é a decisão de arquitetura mais importante do projeto.
- Guardrails contra prompt injection: o conteúdo do diário é tratado como dado não confiável, nunca como instrução.
- Log de auditoria: cada item processado é rastreável da publicação de origem até o lembrete criado.
- Convenção [REVISAR]: todo evento criado se declara provisório. O sistema comunica a própria incerteza em vez de fingir precisão.
- Falha segura: na dúvida (dado ausente, cruzamento ambíguo), o item vai para revisão humana em vez de seguir o fluxo.
Por que isso é um case de produto, não de tecnologia
Qualquer pessoa consegue pedir a um LLM que “leia um PDF e crie eventos na agenda”. O trabalho de produto está em outro lugar: definir o que o sistema não pode fazer, decidir onde o modelo entra e onde regras determinísticas mandam, desenhar a revisão humana como parte do fluxo (não como remendo) e tornar cada saída rastreável. É a diferença entre demo de IA e processo em que alguém pode confiar.
Resultados e estágio
- Automação em operação de ponta a ponta, demonstrável com dados fictícios.
- Evidência prática de IA aplicada com governança: extração por LLM, decisão determinística, human-in-the-loop, auditoria.
Aprendizados
- O valor de uma automação com IA está menos no modelo e mais nas fronteiras que você desenha ao redor dele.
- Comunicar incerteza ([REVISAR]) gera mais confiança do que aparentar certeza.
- Em domínio regulado ou de risco, “human-in-the-loop” não é limitação do produto: é o produto.
Próximos passos
- Testar com um escritório real em um caderno oficial corrente.
- Medir precisão da extração contra conferência manual (taxa de erro por campo).
- Evoluir a base simulada para integração com um CRM jurídico real.
Competências demonstradas
Desenho de processo com IA · separação probabilístico × determinístico · human-in-the-loop · guardrails e segurança de prompt · auditabilidade · automação no-code multissistema · pensamento de risco em domínio sensível