Product craft · Bradesco Saúde
A virada do Portal dos Corretores
Resumo executivo. Liderei a modernização do Portal dos Corretores da Bradesco Saúde, produto B2B usado por mais de 40 mil corretores, durante o programa de trainee. Conduzi discovery presencial e remoto com corretoras de portes diferentes, segmentei o problema entre grandes corretoras e corretores individuais e evoluí o produto por MVPs e testes A/B em produção. O NPS saiu de 16 para 47 e o portal registrou 58% de novos acessos. O resultado contribuiu para minha promoção a Group Product Manager.
Contexto
O corretor é um canal de distribuição decisivo na saúde suplementar: é ele quem apresenta, cota e fecha contratos. O portal que o atendia acumulava defasagem de experiência, e a insatisfação era mensurável: NPS de 16. Um canal crítico para receita operando com detratores.
Problema
O portal tratava públicos radicalmente diferentes como se fossem um só. Uma grande corretora com operação estruturada e um corretor individual que trabalha sozinho têm jobs, volumes e dores distintos, e a experiência única não servia bem a nenhum dos dois.
Meu papel
PM responsável pela modernização, de ponta a ponta: discovery, priorização, definição de jornada, articulação com tecnologia, negócio e design, experimentação e acompanhamento de indicadores. Eu estava no programa de trainee; a responsabilidade pelo produto era minha.
Restrições
- Produto em operação: modernizar sem interromper o canal de vendas.
- Ambiente regulado (ANS, LGPD) e integrações com sistemas legados.
- Credibilidade a construir: um trainee propondo mudanças em um canal crítico precisa de evidência, não de opinião.
Investigação
- Entrevistas presenciais e remotas com corretoras de diferentes portes, das grandes operações aos corretores individuais.
- Segmentação por porte como lente de análise: as dores e os volumes de uso eram diferentes o suficiente para exigir decisões distintas.
- Benchmarking de portais e experiências do mercado.
- Testes de usabilidade sobre as jornadas críticas.
A segmentação virou o eixo de tudo: descobrir para quem cada funcionalidade importava mais mudou a ordem de prioridade do backlog.
Decisões e experimentação
- Evolução por MVPs: modernização fatiada em entregas que geravam valor e aprendizado, em vez de um “big bang” de portal novo.
- Consulta de apólices nasceu de um teste A/B, e as versões seguintes também evoluíram por experimentação.
- No card de faturas, coloquei duas versões em produção para avaliar o download de faturas e boletos, com grupo de controle segmentado por porte: grandes corretoras e corretores menores reagem diferente, e o desenho do experimento respeitou isso.
Experimentar em produção, num produto B2B enterprise, foi uma escolha deliberada: opinião de stakeholder não decide interface; dado de uso decide.
Trade-offs
Evoluir sobre o legado ou reescrever. O portal rodava sobre Java Portlet. O dilema central da modernização: continuar entregando funcionalidades sobre a tecnologia antiga, com valor imediato para o corretor mas dívida técnica crescente, ou reescrever o produto em Angular, ganhando suporte a componentes modernos de design, mais segurança, mais velocidade e uma stack atualizada, ao custo de capacidade de entrega no curto prazo. Não era uma decisão de tecnologia: era uma decisão sobre onde o canal de vendas estaria em dois anos.
Após analisar prós e contras dos dois cenários, a escolha foi a reescrita completa em Angular: a opção mais inteligente no longo prazo. E o custo de curto prazo foi administrado sem sacrificar a experiência dos corretores: pequenas melhorias continuaram sendo entregues no portal antigo enquanto a reescrita acontecia. Modernizar não precisou significar parar.
Resultados
- NPS de 16 para 47.
- 58% de novos acessos registrados no portal.
- O trabalho contribuiu diretamente para minha promoção a Group Product Manager ao fim do programa.
O que não funcionou
O card de Propostas me deu a lição mais barata que um PM pode comprar. A proposta de valor foi definida sem dados: lancei rápido, reaproveitando chamadas da aplicação antiga com uma roupagem nova no front, no formato de card, que já era validado no portal. No lançamento, os cliques foram altos e usei esse número como prova de sucesso. Era métrica de vaidade. O corretor precisava do fluxo de venda ponta a ponta, não de um lembrete das assinaturas pendentes para a venda da apólice, e o engajamento caiu vertiginosamente. Validei o formato, não o valor.
Aprendizados
- Segmentar usuários B2B por porte muda a priorização mais do que qualquer framework: o mesmo produto é dois produtos.
- Experimento em produção é também ferramenta de influência: dados de A/B encerram debates que opinião nenhuma encerraria.
- Clique alto no lançamento não é sucesso. Sem resolver o job completo, o engajamento despenca; métrica de vaidade só adia a conversa difícil.
Competências demonstradas
Discovery qualitativo · segmentação de usuários B2B · priorização · MVPs · testes A/B com grupo de controle · métricas de experiência (NPS) · influência sem autoridade · articulação com tecnologia e negócio